RECURSOS
DE BAIXA TECNOLOGIA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ALUNO COM AUTISMO
O autismo é uma disfunção global do
desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do
indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento
(responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas).
Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamada transtorno global do
desenvolvimento (TGD).
O autismo apresenta comprometimento em três principais eixos:
Interações sociais; comportamentos estereotipados, repetitivos e restrições de interesses; e comprometimentos
qualitativos na comunicação e na linguagem.
Qualquer intervenção ou técnica
para trabalhar com alunos autistas passa pela comunicação com essas crianças. A
comunicação baseia-se em trocas de informações através de uma simbologia previamente escolhida pela
comunidade. Os sons tem significados preestabelecidos tanto quanto os desenhos
ou gestos e podem ser usados como forma de expressão ou
comunicação, principalmente em crianças autistas.
Para Vygotsky, a palavra, a linguagem, é o veículo primordial de mediação. É com a
palavra que o homem salienta, marca, destaca aquilo que é realmente num
caleidoscópio de estímulos que bombardeiam por todo lado os seus diversos
sistemas sensoriais.
Hoje a tecnologia permite uma gama
de formas alternativas de comunicação facilitando a vida desses alunos, como
computadores, além de uma diversidade de dispositivos que podemos utilizar para
facilitar a vida desses alunos. A escola é um meio de grandes movimentos
sociais e intelectuais na vida de uma pessoa e toda e qualquer criança tem o
direito de passar por este movimento onde aprender sempre é o objetivo maior,
respeitando sempre o tempo de cada um. Assim, são muitas as adaptações e
ajustes para viabilizar a inclusão da forma que sonhamos, onde todos devem ter
espaço em todos os lugares tirando aproveito do mesmo e fazendo suas
contribuições, sem serem cobrados de uma igualdade desnecessária, pois a
diferença entre os seres é que enriquece nosso mundo e favorece sua evolução.
SUGESTÃO DE JOGOS
Os jogos constituem um recurso
privilegiado para a aprendizagem e, quando bem utilizados, ampliam
possibilidades de compreensão através de experiências significativas. Além
disso, os jogos por seu caráter coletivo, permitem que alunos autistas troquem
informações, façam perguntas e explicitem suas idéias e estratégias avançando
em seu processo de aprendizagem e comunicação.
Batalha
Material: cartas do baralho – de Ás
a 10
Conteúdo: leitura de números,
comparação
A meta é ganhar mais cartas. Um dos
jogadores distribui as cartas: uma para cada participante a cada rodada. Na sua
vez, cada jogador abre a primeira carta de seu monte. Aquele que virar a carta mais alta pega todas as cartas apresentadas. Todas as jogadas se repetem da
mesma forma até que todas as cartas já tenham sido distribuídas. Se abrirem cartas iguais, os jogadores que empataram devem virar outra carta e aquele que
tirar a maior ganha. Pode ser jogado em duplas ou pequenos grupos.
7 cobras
material: 2 dados, lápis e papel
conteúdo: soma de dados, leitura e
grafia de números.
Escreve-se
a seqüência numérica na folha de papel (2 a 12). Na sua vez de jogar, o jogador
soma os dados e marca com um X o número sorteado. Se a soma der 7, o jogador
desenha uma cobra no seu papel. Quem marcar todos os números primeiro, com o
menor número de cobras é o vencedor. Quem obter 7 cobras sai do jogo.
Nunca 10
material: tampinhas de garrafa de
cores diferentes ou palitos de sorvete
coloridos (2, 3 ou 4 cores), 1 ou 2
dados
conteúdo: soma, noção de unidade,
dezena, centena e milhar
Cada jogador, na sua vez, jogará o
dado, soma-se a quantidade e pega-se a quantidade de palitos sorteadas.
Iniciando com uma cor que representará as unidades(verde, por exemplo). Ao se
obter 10 palitos verdes (10 unidades) troca-se por 1 palito de cor que
represente a dezena (azul, por exemplo). A centena é vermelha e o milhar
amarelo. No final das rodadas combinadas efetua-se a soma para saber qual o
vencedor.
Caça ao Quebra-Cabeça
Meta: Inspirar um aumento do
intervalo de atenção compartilhada. Motivações / Interesses: Figuras,
quebra-cabeças e passeios pela sala /escola.
Preparação: Imprima da internet ou
desenhe uma versão grande de um dos personagens favoritos da criança (Barney,
Backyardigans, Mickey, etc.). Plastifique com papel contact (para tornar o
material mais durável) e corte e pedaços para fazer um quebra-cabeça. Início da
Atividade: Quando a criança oferecer a você um “Sinal Verde para Interação”,
apresente a atividade pegando uma ou duas peças do quebra cabeça. Explique
animadamente que figura será formada quando vocês pegarem todas as peças. Diga
também que a maneira de pegar mais peça será ela ir passear pela sala ou pelas
dependências da escola com você. Aproveite esse momento para lhe apresentar os
colegas de classe e pessoas da escola.
Passeie com a criança pela sala e
pegue uma peça por vez, e a leve até a mesa para juntar a peça ao quebra
cabeça. Se a criança não quiser passear com você, procure convidá-la outras
vezes quando ela oferecer Sinais Verdes até que ela aceite passear. Demonstre
para a criança como pode ser divertido observar a figura crescer e se tornar o
personagem.
Pescando as Sentenças
Meta: Estimular a utilização
de sentenças mais longas. Motivações / Interesses: Atividades físicas
(ex: passear de cavalinho, balançar, rodar, pular na bola grande, etc.)
Preparação: Em letras bem grandes,
escreva as sentenças que descrevem atividades que você acredita que sua criança
terá interesse em participar. Por exemplo: “Eu quero passear no pátio”, “Eu
quero ir à sala de leitura”, “Eu quero pular amarelinha”, “Eu brincar com
avião”. Escreva quantas sentenças você conseguir inventar para ações que você vai
oferecer. Plastifique as sentenças para que elas possam ser reutilizadas.
Início da Atividade: Quando sua criança oferecer um Sinal Verde, “pesque” uma
atividade, leia para ela e a convide para realizá-la juntos. Quando sua criança
estiver bem motivada dentro da atividade, você pode pedir para que ela leia a
sentença inteira ou para que repita depois de você. E você oferece a ação
motivadora.
Conversa com os Dados
Meta: Conversação com
conteúdo social.
Motivação / Interesses: O
assunto que sua criança goste de conversar (ex: carros, etc.). Preparação: Faça
dois dados gigantes. Um dado será o dado das “situações”, cada face terá uma
situação diferente relacionada com a área de interesse de sua criança (ex: o
carro quebrando, comprando um novo carro, etc.). No outro dado, escreva em cada
face nomes de pessoas que sua criança conhece (ex: membros da família, amigos
da escola, professora e o nome da criança).
Início da Atividade: Explique para
a criança que neste jogo, cada um tem a sua vez para jogar ambos os dados ao
mesmo tempo. A combinação entre a situação e o nome da pessoa ditará o assunto
da conversa. A idéia é conversar sobre como aquela pessoa agiria naquela
determinada situação. Queremos encorajar conversas que tenham o foco em
informações pessoais. Se você jogar os dados e obtiver a mesma combinação uma
segunda vez, jogue o dado dos nomes novamente até que você tenha um nome
diferente para iniciar a conversa.
Descreva a situação de forma
animada, divertida, e bem detalhada. Procure adicionar na sua descrição vários
interesses da criança. Por exemplo, se a criança gosta de humor tipo
“pastelão”, inclua na história pessoas escorregando ou deixando coisas cair,
etc. Estimule a criança a ter a vez dela. Auxilie a criança a contar a história
o quanto você achar necessário.
Quando a criança entender bem o
mecanismo do jogo e estiver altamente motivada, comece a introduzir desafios
maiores. Ofereça menos auxílio, fique em silêncio e espere que a criança
ofereça mais idéias espontaneamente. Se necessário, ofereça algumas dicas
relativas à personalidade daquela pessoa específica (ex: “Você se lembra como o
Beto gosta de conversar o tempo todo? O que você acha que ele faria se o carro
dele quebrasse?”).
Jogos diversos: A partir de
agora a professora trabalha 2 ou mais conceitos juntos.
Material: cartelas de cor, forma,
espessura e tamanho
Conteúdo: noção de cor, forma,
tamanho, espessura, contagem, quantidade.
A professora agora levantará 2, 3
ou 4 cartelas e a criança deve procurar o bloco correspondente. Ex: a
professora pega 3 cartelas: círculo, fino, grande, o aluno deverá encontrar a
forma correspondente as características apresentadas.
Jogos de mímica: (Imagem e
Ação, por exemplo): Ao transmitir sem palavras sentimentos ou situações, a criança
organiza seu pensamento lógico e busca compreender causas e conseqüências para
melhor se expressar.
Jogo Can Can / Uno: Atua no
raciocínio lógico-matemático, reversibilidade de pensamento, trabalhando também
sentimentos de intolerância à frustração.
Jogo Banco Imobiliário: Neste
jogo, assim como é na vida real, a sorte é aliada às decisões corretas.
Trabalha raciocínio, atenção, pensamento lógico...
Jogos de vitória ao acaso (roleta,
dados, trilha, pistas a percorrer...): Nestes jogos o ganhar e o perder são
aleatórios, não dependendo da eficiência dos jogadores. São muito úteis para
crianças que não aceitam perder.
Jogos de estratégia (damas,
trilha, xadrez, gamão, contra-ataque, lig-4, Einsten, Senha...). Nestes jogos,
é preciso que a criança planeje a jogada, faça antecipações de suas próprias
jogadas e as do adversário.
Quebra-cabeça: Desenvolve
a observação, concentração, percepção visual e raciocínio.
TRABALHANDO A ROTINA
Uma característica do
aluno autista é a necessidade de ter segurança em sua rotina diária, para
auxiliar nessa necessidade podemos montar a rotina semanal utilizando fichas /
cartaz organizando a rotina diária/semanal do aluno Autista. Utilizar o sistema
baseado em figuras ou fotos selecionadas de acordo com as necessidades e/ou
interesses individuais. Quando o autista estabelece a associação entre a
atividade e o símbolo facilita tanto a comunicação quanto à compreensão.
TRABALHAR CONTEÚDOS
ESPECÍFICOS
Utilizar material concreto e lúdico
facilita na aprendizagem do aluno autista.
TRABALHANDO
RELAÇÃO NÚMERO/QUANTIDADE
Atividade para
relacionar a imagem da nota com o seu valor, tendo um apoio visual como
suporte.
TRABALHANDO
ADIÇÃO SIMPLES
AGRUPAMENTO POR COR
O AEE e a escola comum devem fazer uso da tecnologia assistiva, que é uma área de conhecimento e de atuação que desenvolve recursos de comunicação e de mobilidade, em que traz como princípio a necessidade do indivíduo, sem destacar, em hipótese alguma, a interação dele com o ambiente e com os outros.
BIBLIOGRAFIA
A matemática na Educação Infantil –
A teoria da Inteligências múltiplas na prática escolar - Kátia S. Smole – Ed.
Artes Médicas
As cem linguagens das crianças –
Gandinio e Forman – Editora Artmed
Fórum Bimestral conversando sobre a
inclusão – Prefeitura de Niterói
Programa Son-Rise®.
Revista Ciranda da Educação –
Autismo
Revista Guia Escolar – Ano 01 –
nº01/2011
Revista Inclusão – Ano 03 – nº
05/2011
TCC Autismo: Desafio na
Alfabetização e no Convívio Escolar –
http://www.autismonoamazonas.com/2010/11/material-didatico-para-autistas-jogo-de.html
Santos, José Ivanildo Ferreira
dos
Educação Especial :
inclusão escolar da criança autista/José Ivanildo Ferreira dos Santos.- São paulo:
All Print
Editora, 2011






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