A audiodescrição é o recurso que permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinemas, teatro e programas de televisão. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial, que encontram-se excluídas da experiência audiovisual e cênica.
A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. Os esforços, neste sentido, visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluídas, como também estabelecer o novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade. (www.audiodescricao.com.br)
A AUDIODESCRIÇÃO COMO TECNOLOGIA ASSISTIVA
Surge, então, no cenário da tecnologia assistiva, a audiodescrição, que se constitui como um serviço especializado capaz de promover a acessibilidade comunicacional de pessoas cegas e com baixa visão, além de contribuir para o acesso à informação de pessoas disléxicas ou que apresentem outros tipos de transtornos relacionados à leitura.
A audiodescrição transita, pois, pelos viéis da comunicação, assumindo o papel de transmissora de informações que, inicialmente, estariam disponíveis apenas no plano visual, a exemplo de imagens estáticas (tais como fotografias), cenas dinâmicas (veiculadas no cinema, TV ou teatro), além de textos e legendas impressas.
Nas palavras de Mota, a audiodescrição consiste na "...) arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido".
Para Laura Graciela Pozzobon:
"O recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos , efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela".
Consoante a Portaria nº 310/2006, a audiodescrição é definida como:
"uma locução, em língua portuguesa sobreposta ao som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compeendidos por pessoas com deficiência visual".
Ainda consoante Mota, as raízes históricas da audiodescrição remontam a década de 1970, nos Estados Unidos, quando o norte-americano Gregoy Frazier desenvolveu estudos que ajudaram a impulsionar a experimentação da técnica no teatro, estendendo-se à Europa e chegando a alcançar o continente asiático, já direcionada a seriados de TV e ao próprio cinema. Há, no entanto, registro que conferem à Drª Margareth Phantiehl e ao seu marido o crédito pela invenção do serviço de audiodescrição, no ano de 1981.
Já no Brasil, a utilização da técnica é recente, podendo ser encontrada primeiramente no cinema com a exibição do filme "Irmãos de Fé", no circuito comercial, em 2005. Porém desde 2003, o Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiências "Assim Vivemos" vem exibindo filmes audiodescritos. (Lívia Couto Guedes - Revista Nacional de Tecnologia Assistiva).
A AUDIODESCRIÇÃO COMO RECURSO PEDAGÓGICO
A audiodescrição como recurso pedagógico possibilita a acessibilidade ao Educador nas variadas situações didáticas no cotidiano escolar, pois permite a narração de roteiros autodescritos que ilustram e estimulam o processo de ensino/aprendizagem, ao passo que beneficia e favorece ao Educador e aos Educandos. Nota-se que a utilização da audiodescrição como ferramenta pedagógica contribui para que os educadores minimizem ou eliminem barreiras que dificultam a aprendizagem dos educandos com deficiência visual e o acesso a materiais bibliográficos como também permitem que todas as ilustrações, imagens, figuras, mapas, desenhos, livros didáticos, vídeos, fotografias, experimentos científicos, visitas culturais. O Educador pode realizar a audiodescrição verbalizando aquilo que é visual, o que favorece, de modo significativo, o desenvolvimento da aprendizagem do educando. Fundamental é o uso da audiodescrição na escola pois este recurso permite a equiparação de oportunidades como também o acesso as imagens, a minimização e a eliminação de barreiras comunicacionais.
Veja a entrevista com Graciela Pozzobon no Programa no Jô:
www.audiodescricao.com.br